CARREIRA

O que faz um Analista de Dados? Guia completo 2026

Rael Rodrigues 25 de julho de 2026 6 min de leitura

Se você está pensando em migrar de área ou dando os primeiros passos no mundo dos dados, é bem provável que o cargo de Analista de Dados tenha aparecido no seu radar. É uma das portas de entrada mais comuns na área de dados — e também uma das mais mal compreendidas. Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que esse profissional faz, qual formação costuma ser exigida e como é o dia a dia real do trabalho.

O que é um Analista de Dados?

O Analista de Dados é o profissional responsável por transformar dados brutos em informações que ajudam empresas a tomar decisões. Na prática, ele pega números, planilhas, registros de sistemas, dados de vendas, de clientes, de operações — e organiza, limpa, interpreta e apresenta tudo isso de forma clara para quem precisa decidir algo com base nessas informações.

Pense assim: os dados sozinhos não contam uma história. É o analista quem faz as perguntas certas e usa os dados para respondê-las. Por exemplo:

  • As vendas caíram no último mês. Por quê?
  • Qual região tem o maior número de clientes em Churn?
  • Vale a pena investir mais em determinado canal de marketing?
  • Como esta o desempenho de uma determinada loja?

O analista busca essas respostas nos dados disponíveis e comunica os resultados de forma acessível, geralmente por meio de relatórios, dashboards e apresentações.

Formação necessária

Não existe um único caminho para se tornar Analista de Dados, e essa é uma das coisas que tornam a área atrativa: ela aceita gente vinda de formações bem diferentes.

Formações mais comuns:

  • Administração
  • Economia
  • Engenharia (de qualquer tipo)
  • Estatística
  • Ciência da Computação
  • Matemática

Mas cada vez mais o mercado valoriza menos o diploma específico e mais as competências técnicas comprovadas. Isso significa que pessoas de outras áreas — como Marketing, Ciências Sociais ou até Biologia — também conseguem migrar para a função, desde que desenvolvam as habilidades certas.

Conhecimentos técnicos geralmente esperados:

  • Excel/Planilhas: ainda é uma ferramenta essencial no dia a dia, principalmente em empresas menores ou times menos maduros em dados.
  • SQL: a linguagem usada para consultar e extrair dados de bancos de dados. É praticamente unanimidade nas vagas da área.
  • Ferramentas de visualização: como Power BI, Tableau, Qlik Sense ou Looker Studio, usadas para criar dashboards e relatórios visuais. Com destaque para o Power BI que democratizou a analise de dados para qualquer profissional.
  • Python ou R: cada vez mais exigido pelas empresas, costuma ser um diferencial, principalmente para análises mais avançadas.
  • Estatística: entender conceitos como média, mediana, desvio padrão e correlação ajuda (e muito) a não tirar conclusões erradas dos dados.

Cursos técnicos, bootcamps e certificações também têm ganhado espaço como forma de entrada na área, especialmente para quem está migrando de carreira.

Muitos profissionais da área ainda vem de cursos relacionados a Tecnologia da Informação (TI) como Ciências da Computação e Analise de Sistemas por conta do aspecto técnico do dia a dia.

O que o Analista de Dados faz no dia a dia?

A rotina varia bastante dependendo da empresa e do setor, mas há um padrão que se repete na maioria dos casos. Um dia típico costuma incluir:

1. Coleta e organização de dados: a busca por dados para gerar um relatório costuma vir de diferentes fontes — bancos de dados, planilhas, sistemas internos como ERP, CRM. Esses dados precisam ser organizados de forma que façam sentido para análise por meio de combinação e outros processos.

2. Limpeza e transformação dos dados: essa é uma parte que poucas pessoas imaginam, mas que ocupa uma boa fatia do tempo (as vezes mais de 50% do tempo): corrigir erros, remover duplicidades, tratar valores ausentes e transformar os dados para deixa-los prontos para extrair as informações necessárias.

3. Análise propriamente dita: aplicar filtros, cruzar informações, calcular métricas e identificar padrões ou tendências relevantes para o negócio.

4. Criação de relatórios e dashboards: por fim, transformar os resultados em visualizações claras — gráficos, tabelas, painéis — para que outras pessoas da empresa (que muitas vezes não entendem de dados) consigam interpretar facilmente. Em empresas de pequeno e médio porte, ainda é muito comum utilizar Power Point para entregar os relatórios, outras já migraram para ferramentas como Power BI para tratar os dados e criar os dashboards.

5. Reuniões e comunicação: também é muito comum apresentar resultados para times de negócio, marketing, financeiro ou liderança ao invés de simplesmente entregar os relatórios. Boa parte do valor do trabalho está em explicar bem o que os dados mostram, não só em analisá-los.

6. Suporte a decisões: responder perguntas pontuais que surgem no dia a dia: “quantos clientes tivemos essa semana?”, “esse produto está vendendo mais que o outro?” — esse tipo de demanda é constante.

Analista de Dados x Cientista de Dados: qual a diferença?

Uma dúvida muito comum é confundir o Analista de Dados com o Cientista de Dados. De forma resumida:

  • O Analista de Dados foca em entender o que aconteceu e por quê, usando dados históricos, com foco em relatórios e apoio à decisão.
  • O Cientista de Dados costuma ir além, construindo modelos preditivos e usando técnicas mais avançadas de estatística e machine learning para prever o que pode acontecer. É mais comum o uso de linguagens como python para esse profissional.

Na prática, muitas empresas não fazem essa separação tão rígida, principalmente em times menores, onde uma mesma pessoa acumula as duas funções.

Vale a pena seguir essa carreira?

O caminho de Analista de Dados costuma ser um ótimo ponto de entrada na área de dados, porque:

  • Exige uma curva de aprendizado inicial menor comparado a cargos mais técnicos, como Engenheiro de Dados ou Cientista de Dados.
  • Abre portas para outras posições dentro da área com o tempo (Engenheiro de Dados, Cientista de Dados, entre outras).
  • É uma função presente em praticamente todos os setores — de varejo a saúde, de finanças a tecnologia.

Se você gosta de resolver problemas, tem curiosidade para entender “o porquê” das coisas e não se incomoda em lidar com planilhas e números no dia a dia, essa pode ser uma ótima porta de entrada para o mundo dos dados.

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *